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A Fortaleza de Maputo, também conhecida como Fortaleza ou praça de Nossa Senhora da Conceição, é um monumento nacional relacionado com a história da presença portuguesa em Moçambique e com as relações e resistência oferecida pelos habitantes das terras das margens da baía. A Lei 10/88 de 22 de Dezembro assegura a protecção legal deste monumento que é parte integrante do património cultural moçambicano.
A sua história remonta aos finais do século XVIII quando se iniciou a construção da primeira fortificação portuguesa na baía, num contexto de rivalidade comercial entre diversos países europeus. A fortificação militar, junto ao mar, começou por ser feita com estacas possuindo no seu interior construções precárias onde se abrigavam homens e alguns bens. A Fortificação integrava a área da baía e era designada por Presídio. Na baía ficava um navio ao seu serviço. Atacada, abandonada, destruída, foi reconstruída e sofreu alterações, a partir daí, muitas vezes.
O Presídio fundado pelos portugueses sofria ataques frequentes de austríacos, holandeses, franceses e ingleses que pretendiam alargar a sua influência no local, importante para as trocas comerciais com os chefes da terra e para o abastecimento dos navios. Por isso se decidiu a construção da fortaleza de pedra. A estas rivalidades juntaram-se, no século XIX, as crescentes investidas nguni e as resistências locais. Os baluartes devem ter sido construídos nesse período, bem como outras obras de defesa. O novo contexto criada após a Conferência de Berlim conduziu avarias campanhas militares visando a conquista de Moçambique. A prisão de Ngungunhane, em 1895, simboliza essa conquista mas também a resistência encontrada em diversos pontos do território.
A Comissão de Monumentos e Relíquias Históricas da colónia de Moçambique, criada em 1943, decidiu reconstruir, seguindo o traçado da anterior, a fortaleza que se encontrava nessa época em elevado estado de degradação e nela instalara um museu. Nasceu assim, já nos anos 50, o Museu Histórico Militar, que funcionou até poucos anos após a proclamação da independência nacional (1975). Desde então a Universidade Eduardo Mondlane tem sido a guardiã da fortaleza. Realiza obras regulares de conservação do monumento e oferece diversos elementos de interpretação da história da ocupação e da resistência. Com esse objectivo foram integradas na fortaleza estátuas que faziam parte de monumentos comemorativos coloniais existentes na então cidade de Lourenço Marques e são prestadas informações complementares através de diversos meios. Para além disso, a fortaleza abre as suas portas a múltiplas realizações sociais e culturais, constituindo igualmente um importante atractivo turístico da cidade.
Fonte: Direcção de Cultura da UEM |