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A Ministra da Função Pública, drª Vitória Diogo, visitou na manhã desta terça-feira, o Arquivo Histórico de Moçambique, da Universidade Eduardo Mondlane, onde se inteirou dos problemas que aquela unidade enfrenta.
Durante a visita, enalteceu o papel do arquivo na preservação da memória institucional, com enfoque especial na área de gestão documental e arquivística e na implementação do sistema nacional de arquivos.
"O arquivo histórico desempenha um papel fundamental, de arquivo permanente para aquilo que são os documentos produzidos na administração pública moçambicana", disse a Ministra.
Ainda no âmbito da visita, Vitória Diogo reconheceu a existência de dificuldades para trabalhar nessa área, visto que para lidar com esta componente é preciso gosto, paciência e entrega. Enalteceu também o papel do Arquivo Histórico de Moçambique na conservação e preservação da história e identidade do povo moçambicano, o legado que as várias gerações vão deixando.
A governante mostrou-se agradado pelo facto do Arquivo Histórico de Moçambique não depender apenas do Orçamento Geral do Estado e encorajou o governo a continuar a dar a devida atenção, mesmo com a escassez de recursos. Apelou também à necessidade de se estabelecerem parcerias com o sector privado, para que se encontrem soluções para problemas básicos.
"Como Ministério da Função Pública, vamos continuar a desempenhar o nosso papel de promoção desta área, de produção daquilo que pode ser legislação e procedimentos, de mobilização de parceiros e parcerias para que efectivamente, a área de gestão e arquivística continue a ocupar um lugar de destaque. Iremos continuar a trabalhar com a direcção máxima do nosso governo que é para também ter ao vivo a experiência que nós tivemos de visitar os depósitos do arquivo histórico, de poder ter também informação a partir dos quadros e técnicos do arquivo histórico, que é para que também possam reforçar o seu papel de liderança nessa área".
Segundo o Director do Arquivo Histórico de Moçambique, Prof. Doutor Joel das Neves Tembe, a visita tinha como objectivo principal inteirar-se dos diversos problemas que o arquivo enfrenta, que, de alguma forma, dificultam o seu bom funcionamento.
Por seu turno, o Magnífico Reitor da Universidade Eduardo Mondlane, Prof. Doutor Orlando Quilambo, agradeceu a visita efectuada pela Ministra da Função Pública, considerando-a de extrema importância para a consolidação daquilo que são as realizações da Universidade Eduardo Mondlane.
O Arquivo Histórico de Moçambique enfrenta uma crise financeira que ameaça a destruição do acervo de documentos históricos nele depositados. Funciona em edifícios que apresentam danificações na sua estrutura, criando condições para a penetração de água nos períodos chuvosos, o que causa humidade nos documentos.
Para além disso, o Arquivo não dispõe de espaço suficiente para a colocação dos documentos. As poucas salas estão superlotadas, havendo documentação ainda não tratada, que deve ser acondicionada em caixas e colocada nas estantes.
“É urgente criar novas condições de acomodação. Prioritariamente devia se construir um edifício de raiz, que obedecesse todas as especificações técnicas, nomeadamente o controlo do clima, temperatura e humidade, ou seja, as condições requeridas para um arquivo”, disse das Neves, acrescentando que “o nosso orçamento é exíguo para o conjunto de necessidades rotineiras que temos de realizar, sobretudo na aquisição de caixas de acondicionamento de documentos, estantes, máscaras e luvas”.
Neste momento, o Arquivo Histórico de Moçambique tem parceria com a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), que vai financiar a compra e montagem, ainda este ano, de equipamento do laboratório de preservação e conservação, incluindo o treinamento de técnicos no Brasil.
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