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Ciclo de Cinema moçambicano na FLCS PDF Imprimir e-mail

 

A Faculdade de Letras e Ciências Sociais (FLCS) da UEM realiza no mês de Agosto o ciclo de Cinema Moçambicano, com o lema Arte e Cultura: Arte ou Cultura?
Nesta fase serão exibidos mais de 20 filmes produzidos em Moçambique.

No primeiro dia do lançamento do ciclo de Cinema foram exibidos dois filmes e os participantes levantaram a questão sobre se seria possível separar a arte e cultura, tendo os painelistas afirmado que não, uma vez que é na cultura que se busca inspiração para se fazer arte.
Falando dos filmes projectados, Calane da Silva, escritor e Director do Centro Cultural Moçambique Brasil, disse que a história dos filmes está relacionada com os contos tradicionais moçambicanos.
Por seu turno, Lucrécia Paco, actriz e coreógrafa do grupo teatral Mutumbela Gogo, disse que a arte é uma fonte de mudança de mentalidade, onde os moçambicanos têm de produzir as suas definições culturais.
Já nos painéis de debates, o Dr. Manuel Mangue, Director dos Serviços de Documentação da UEM, fez uma apresentação com o tema "A Construção da moçambicanidade em tempos pós-modernidade: o papel da educação, da comunicação e da informação".
Mangue discutiu a construção da moçambicanidade em tempos pós-moderno, através de busca de cenários de eventos que ocorrem no mundo contemporâneo, para tentar perceber aonde a moçambicanidade se enquadra.
"Para vermos como a cultura se manifesta, assumimos como resultado que a cultura não é isenta da lógica do mercado", disse Mangue.
Num outro ponto salientou que as agências que financiam as manifestações culturais destacam aquelas manifestações que à partida trazem dividendos económicos, fazendo com que as outras fiquem no esquecimento.
"A escolha entre as manifestações culturais a serem financiadas passa pelos índices económicos, e não pelo interesse da colectividade, mas as que cujo retorno traz lucros para os financiadores", salientou.
Mangue acrescentou que o que acontece nos dias de hoje é que primeiro se produz o consumidor e depois o produto, fazendo com que a vida se pareça com ficção e a ficção com a realidade.
"A cultura no sentido utilitário acontece desvinculada da ética, do social e até do afectivo".
Terminou afirmando que as pessoas precisam de estar esclarecidas para perceberem as suas manifestações culturais, o que tem de ser um processo de escolha, observando-se a parte de pertença, onde o hibridismo é muito salutar.

 
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