|
Iniciaram ontem (20 de Junho) as comemorações dos cinquenta (50) anos do Ensino Superior em Moçambique. A cerimónia de lançamento oficial contou com a presença de altas individualidades do Governo, do primeiro reitor dos Estudos Gerais Universitários de Moçambique, Professor Veiga Simão, membros da Associação das Universidades da Língua Portuguesa (AULP) e da sociedade civil.
Num evento carregado de emoção, o Presidente da República, Armando Guebusa, disse que a universidade moçambicana deve continuar a afirmar-se como um centro de geração de conhecimento por excelência, que não se limita apenas a aquisição, interiorização e reprodução de saberes de ouros quadrantes do mundo de forma acrítica.
Falando em mensagem de vídeo apresentada na cerimónia, Guebuza, que participa na Cimeira Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável no Rio de Janeiro, afirmou que a universidade moçambicana deve enquadrar o conhecimento científico adquirido à realidade nacional e usá-lo para estimular auto-estima, o patriotismo, o empreendedorismo, a inovação, a criatividade e o espírito de partilha.
“Devemos ter a coragem de continuar a investir para uma realidade em que o campo não seja o palco de tensão entre o que se assume como absolutamente verdadeiro e o que é visto como absolutamente falso. Defendemos este posicionamento porque a formação nas circunstâncias de negação de um conhecimento a favor de outro, não é formação, é deformação, na medida em que adquirir conhecimento científico passa a ser o abandono daquilo que nos define como detentores do saber necessário à reprodução dos nossos mundos e ao relacionamento são com as nossas comunidades de origem”, disse.
Afirmou ainda Guebuza que as bodas de ouro do Ensino Superior em Moçambique e da criação da UEM, marcam um importante passo na realização do sonho de futuro melhor, “o sonho do patrono desta universidade, que assumiu a democratização do conhecimento como arma fundamental para a libertação da terra e dos homens e para a nossa vitória na luta contra a pobreza”.
“Queremos reiterar as nossas felicitações à universidade moçambicana pelos seus 50 anos, e saudar pela forma como se tem afirmado no contexto académico regional e internacional através de ensino, da pesquisa e investigação, bem como pela sua expansão pelo nosso belo Moçambique adentro e pela cooperação que aprofunda com instituições congéneres à escala planetária”, acrescentou.
Por seu turno, o Primeiro Reitor dos Estudos Gerais Universitários de Moçambique, Veiga Simão, disse ser urgente que as universidades moçambicanas cultivem o saber fazer e o fazer, ou seja, que contribuam para a diminuição do hiato entre a criação do conhecimento e a sua transformação em bens e serviços económicos, culturais e sociais.
O Reitor da Universidade Eduardo Mondlane, Prof. Doutor Orlando Quilambo, proferiu um discurso de homenagem a todos que mantiveram viva a chama do ensino superior no país durante os cinquenta anos, designando-os de “heróis do ensino superior em Moçambique”.
O Ensino Superior em Moçambique iniciou em 1962, com a criação dos Estudos Gerais Universitários de Moçambique, através do Decreto 44.530, de 21 de Agosto, tendo em 1968, através do Decreto 43.799, passado a designa-se Universidade de Lourenço Marques. No dia 1 de Maio de 1976, transformou-se em Universidade Eduardo Mondlane, em homenagem ao fundador da luta de libertação nacional, Dr. Eduardo Chivambo Mondlane.
Actualmente, Moçambique conta com um total de 42 instituições de Ensino Superior, dos quais 18 públicas e 24 privadas.
As celebrações das bodas, que decorrem sob o lema “Ensino Superior, 50 anos Construindo Moçambique”, contaram ainda ontem com uma Gala Cultural, onde desfilaram bandas e coral da Universidade Eduardo Mondlane e outros músicos de renome nacional, como são os casos da Elsa Mangue, Mingas, Yolanda e sua banda Kacana, Hortênsio Langa, João cabaço, Arão Litsuri, entre outros.
O programa das celebrações, que vão acontecer em todo o país, inclui actividades culturais, desportivas e científicas.
|