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O categorizado sociólogo português, Professor Catedrático Boaventura de Sousa Santos, proferiu ontem, 11 de Julho, uma palestra com o tema “Comunicação e Artes, seu espaço no mundo actual”, na Escola de Comunicação e Artes (ECA), da Universidade Eduardo Mondlane, para uma plateia composta maioritariamente por docentes e estudantes.
O orador começou por falar das diversas etapas e vicissitudes por que passaram a Comunicação e Artes no mundo. Disse que com a revolução industrial, a arte sofreu alterações profundas na medida em que ela passou a representar a realidade ocidental do que era belo, uma arte que ia para além do real. Caracterizou a comunicação e artes como sendo vastas e complexas, desde antiguidade até aos nossos dias.
Na ocasião, o sociólogo advogou a necessidade de as escolas serem o centro de todas as formas do saber. Disse que particularmente as universidades devem começar a formar o que ele chamou de “rebeldes competentes”, capazes de intervir na sociedade, munidos de diversos saberes e de capacidade crítica. Para isso, segundo ele, é preciso fazer uma revolução epistemológica nas universidades e na vida em geral.
Sobre o desenvolvimento do continente africano, o orador falou da necessidade de África seguir suas próprias linhas de progresso económico e científico. Segundo disse, não há apenas uma única linha de progresso, a difundida pelo ocidente, “há várias outras formas que o continente africano pode usar para se desenvolver”, disse, acrescentando que a compreensão do mundo é muito mais vasta do que a simples compreensão que o ocidente tem do mundo.
“As transformações que a África e o mundo precisam devem ser feitas com entusiasmo e alegria, tendo em conta que o mundo só pode ser mudado com a prática e não apenas com o mundo das ideias”, afirmou.
Finalizou o seu discurso referindo-se à necessidade de África construir conhecimentos locais para interpretar os fenómenos locais, e a partir desses conhecimentos se abrir para se universalizar.
A palestra sobre Comunicação e Artes, seu espaço no mundo actual, é uma iniciativa da Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane e, segundo explicou o director desta instituição, Prof. Doutor Nataniel Ngomane, enquadra-se nos esforços da Escola em oferecer o máximo possível de conhecimentos aos seus discentes para que estes, no final do curso, caminhem de forma autónoma. Boaventura de Sousa Santos junta-se assim a Tânia Tomé e Mia Couto, alguns dos nomes que este ano proferiram palestra na ECA. |