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O Sistema educacional de qualidade é indispensável para alicerçar o Ensino Superior de qualidade, defendeu hoje, 15 de Outubro de 2012, o Prof. Doutor Narciso Matos, antigo Reitor da Universidade Eduardo Mondlane, no primeiro dia da Conferencia Cientifica que termina amanhã.
Narciso Matos disse que é responsabilidade do estado investir num ensino superior público forte e matriz no desenvolvimento do ensino superior, em Moçambique.
Segundo a fonte, no que concerne ao acesso e equidade, somente uma minoria, 1.5 por cento é que acede ao ensino superior e destes 37 por cento são mulheres.
Sobre a empregabilidade dos graduados do ensino superior, a fonte avança o fortalecimento de laços entre as universidades, a sociedade e o mercado laboral como forma de minimizar a situação.
Defende que as instituições devem lutar para auto-avaliarem-se juntamente com as Ordens e propõem a avaliação de cursos e estabelecimento de parâmetros.
Para o antigo Reitor da UEM, 50 anos já é a altura para que se comece a fazer exigências mínimas no ensino superior. Por exemplo, um candidato a docência no nível de mestrado deve ter o mínimo de Doutoramento. Defende igualmente que as Instituições do Ensino Superior devem apostar na construção de infra-estruturas, laboratórios, bibliotecas, entre outros, para garantir a qualidade.
Defende que é preciso incentivar o financiamento privado do Ensino Superior e pesquisa bem como rever os benefícios fiscais das empresas e pessoas singulares que investem na formação, investigação, no caso, na utilização prática da lei do mecenato.
Narciso Matos falava durante a Conferencia Cientifica cujo tema para sua intervenção foi “Ensino Superior Moçambicano no Contexto das Universidades Africanas”. Na ocasião, apelou as instituições do Ensino Superior em Moçambique e em África a criarem mais cursos de mestrado e doutoramento, pois, segundo ele, os doutorados são inovadores e constituem a força por detrás da descoberta e do avanço do conhecimento.
Segundo Matos, a riqueza de Moçambique está na cabeça dos moçambicanos e que é preciso usar os recursos naturais para formar uma geração de moçambicanos que sabe fazer, sabe estar, e cria prosperidade para todos.
Na sua intervenção, este académico apresentou uma cronologia dos 50 anos do ensino superior em Moçambique desde 1962 até aos nossos dias. Apontou o ano de 1975 como marco histórico, porque, segundo disse, foi a partir daqui que os moçambicanos começaram a se apropriar do ensino superior. A fonte disse que a cooperação internacional da UEM constituiu a pedra basilar para o crescimento do ensino superior. Apontou ainda a vontade e apoio político do estado moçambicano, a determinação colectiva de conquistar o saber e a profunda solidariedade nacional como algumas das razões do progresso do Ensino Superior.
Intervindo na ocasião, o Ministro da Ciência e Tecnologia, Mário Cumbe, disse que o governo moçambicano, baseado no slogan “fazer do ensino, a base para o povo tomar o puder”, adoptou estratégias de ensino. “Neste contexto, o país forjou parcerias com diversos países, o que permitiu o crescimento do quadro docente e a formação de muitos moçambicanos no exterior. Nesse mesmo período, muitos jovens, em Moçambique, foram sacrificados ao adiarem seus sonhos para assumirem diversas responsabilidades no país. Para o governo, o Ensino Superior é uma frente de luta contra a pobreza e, por isso, deve contribuir para o desenvolvimento do país”, disse.
Por sua vez, o Reitor da Universidade Eduardo Mondlane, Prof. Doutor Orlando Quilambo, disse que problemas como o HIV/SIDA, o analfabetismo, a insegurança alimentar, entre outros, exigem um ensino superior que melhore a qualidade de vida das pessoas. Reiterou que a produção de conhecimentos científicos deve ser acompanhada de posterior publicação para as comunidades, através de livros e outras formas de publicação.
A conferência Cientifica que se realiza hoje e amanhã, no Centro Internacional de Conferencias Joaquim Chissano, integra num leque de actividades que têm vindo a acontecer em todo o país, por ocasião das comemorações dos 50 anos do Ensino Superior em Moçambique, que decorrem sob lema “Ensino Superior, 50 anos Construindo Moçambique”.
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