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O processo de mudanças é sempre acompanhado de conflitos PDF Imprimir e-mail

A Professora Anna Maria Gentili, da Universidade de Bolonha, disse que todo o processo de mudanças sociais é sempre acompanhado de conflitos. Segundo ela, nesse processo as academias tem um papel importante na preparação de pessoas de modo a ter mentalidade livre para enfrentar criticamente os problemas, para o alcance do almejado crescimento.

Falando á margem da II Conferência Internacional sobre Intelectuais Africanos que terminou ontem em Maputo, Professora Anna Maria, antiga investigadora do Centro de Estudos Africanos (CEA) da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), apontou o facto de África ter muitos jovens como sendo uma vantagem, pois, segundo ela, são estes que aprendem e que podem inovar.
Referiu-se aos problemas das instituições democráticas em África como normais em zonas onde são emergentes. Quanto a ela, é necessário que se enfrentem os conflitos, procurando descobrir as contradições e resolvê-las. “Só assim o processo pode ser melhor”, disse, acrescentando que, nesse sentido, o CEA tem um papel muito importante de incentivar e aprofundar as pesquisas nas ciências sociais, “algo muito necessário para o avanço deste país”.
Por seu turno, o Reitor da UEM, Prof. Doutor Orlando Quilambo, afirmou que “Os Intelectuais Africanos face aos desafios do séc. XXI”, é um tema importante olhando para a trajectória e contribuições dos intelectuais africanos ao longo da história do continente. “São muitas as ilustrações que testemunham de forma directa e indirecta como estes contribuíram para as mudanças no continente e no mundo. A Profª. Ruth First, que hoje homenageamos, e o homem que dá o nome à nossa universidade, Eduardo Mondlane, são apenas alguns exemplos de intelectuais que se notabilizaram não só na área científica, mas também como participantes activos nos projectos de desenvolvimento do continente”, disse.
Segundo o Reitor, as discussões sobre a questão do intelectual e seu papel na sociedade, constituem motivo de inspiração para todos os presentes, sejam mais velhos ou mais novos. “Os resultados dos debates vão abrir caminhos para consolidar a nossa solidariedade e a nossa cooperação”.
“Ao nos juntarmos aqui em volta de Ruth First é uma forma de, como africanos, reafirmarmos que o nosso desenvolvimento não será apenas através dos recursos naturais que até podem ser abundantes, mas o nosso desenvolvimento virá do investimento que for feito para a educação superior aliada natural da investigação”, afirmou o Reitor.
A II Conferência Internacional sobre Intelectuais Africanos foi dedicada à Ruth First, antiga directora de investigação do CEA, no ano em que se completam 30 anos do seu assassinato.
Ruth First foi assassinada através de uma carta bomba enviada pelos serviços secretos da África do Sul do apartheid no dia 17 de Agosto de 1982. Morreu no seu lugar de trabalho no Centro de Estudos Africanos.

 
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