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A Escola Superior de Ciências Marinhas e Costeiras de Quelimane (ESCMC) está empenhada na investigação de produção de biodiesel, a partir de algas marinhas. A primeira fase de estudo permitiu a obtenção de pequenas quantidades, usando o método químico.

Fialho Nehama, docente e assistente de direcção da ESCMC, disse à nossa reportagem que a equipa de investigação começou pela produção das micro algas, com o objectivo de obter óleo, através do qual fez-se a extracção do biodiesel.

O plano da escola é conseguir grandes quantidades. Para isso, segundo o nosso interlocutor, é necessário um extractor de óleo mecânico. “Nas nossas experiências usamos de cada vez cerca de 5Kg de micro algas, donde conseguimos apenas produzir 10ml de óleo. Mas com a mesma quantidade de micro algas, é possível produzir 20 litros. Para que isso seja possível precisamos de um extractor melhorado em relação ao que usamos”, disse.

Acrescentou Nehama que, a escola está numa fase de mobilização de recursos para a aquisição do almejado extractor, orçado em vinte mil dólares americanos (USD 20.000). “Já fizemos projectos e submetemos a entidades que poderão financiar. Estamos a espera da resposta”.

O objectivo da ESCMC, segundo Fialho Nehama, não é conseguir uma produção industrial do biodiesel, “mas mostrar as bases científicas para o efeito e provar que são correctas. A seguir a isso podemos encaminhar o projecto para uma Organização Não-Governamental (ONG) ou empresa ligada à produção de combustíveis para uma produção em massa, já não em tanques pequenos como os nossos. A nossa tarefa é provar que com certa quantidade de algas pode-se conseguir uma determinada quantidade de óleo e de biodiesel”.

O nosso interlocutor disse que uma das diversas vantagens da produção através de micro algas é que elas precisam apenas de quinze (15) dias para crescerem e serem usadas. Garantiu ainda ser um processo que não provoca poluição.

A ESCMC trabalha no projecto com a Universidade de Cape Town, da África do Sul, com experiência avançada na produção de muito material. Mas no início teve a parceria da Universidade Técnica de Delft, da Holanda, de quem teve apoio financeiro e juntos trabalharam no desenho dos campos de cultivo das micro algas e na consolidação da teoria de extracção de óleo.

Para além da Holanda, a primeira fase do projecto contou com o financiamento do Fundo Aberto de Investigação da Universidade Eduardo Mondlane e do Fundo de Investigação do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT).