Estudantes da FAEF fazem trabalho prático no Sábie

Estudantes e docentes da Faculdade da Agronomia e Engenharia Florestal (FAEF) da Universidade Eduardo Mondlane realizaram de 10 a 21 de Julho corrente as Aju's (actividades anualmente realizadas neste período).

Para o Eng. Emílio Magaia, durante este período os estudantes vão ao campo para terem contacto directo com as actividades realizadas nas comunidades e para saberem o que acontece na vida real.
"Esta cadeira é uma disciplina curricular e conta para as notas do fim do curso, para além de se realizar trabalhos práticos e dependendo do que é prioritário para a Faculdade ou para a Comunidade, traça-se os objectivos. As Aju's são planificadas na Faculdade e traça-se os objectivos específicos e depois vai-se ao campo", disse Magaia.
Ainda de acordo com o Eng. Magaia, para as actividades deste ano dividiram-se os estudantes em três grupos, onde foi possível trabalhar nas regiões de Mocodoene, na Província de Inhambane, Sábie na Província de Maputo e Inhaca no Município de Maputo.
Neste ano, segundo Magaia, como a Faculdade está a se implantar na região de Sábie, decidiu-se levar os estudantes para aquele campo, usando a metodologia científica denominada diagnóstico rural participativo, de modo a se envolver investigadores/estudantes e a comunidade que dá o seu testemunho.
"Aqui no Sábie viemos ter informação de base para intervenção. Durante o processo fizemos entrevistas semi-estruturadas com cerca de 70 questões e percorremos quase todas as povoações do posto Administrativo do Sábie, para termos uma informação geral nas áreas de agricultura, tecnologia usada depois de colheita, produtos agro-pecuários e produtos florestais", disse.
O nosso interlocutor salientou que em termos de agricultura constatou-se que a maior parte da população faz agricultura de sequeiro usando sementes próprias. Os agricultores que fazem agricultura de regadio compram a sua semente nas casas agrárias, outros produzem a sua semente e outros recebem do governo, no caso da semente da batata. Em termos da conservação, a cultura que mais se conserva é o milho.
"Se nós olharmos ao redor das comunidades encontramos celeiros onde os agricultores conseguem estar abastecidos de uma campanha a outra. Para além de usar o milho para alimentação, os restolhos servem para alimentar o gado e o farelo para dar as aves", afirmou Magaia.
Nas matrizes de prioridades usadas segundo os docentes da FAEF constatou-se na parte da pecuária que o gado bovino é prioritário para as populações do Sábie, pois o gado garante a obtenção da carne, peles e também é força de tracção para agricultura e transporte para o escoamento de produtos depois da colheita das machambas para as zonas residenciais.
Também constatou-se que na produção de hortícolas, no caso de batata, a semente tem sido o maior problema, onde a qualidade germinativa é baixa e desta constatação os docentes e estudantes poderão usar esse ponto para a produção de semente ou no mecanismo de entrega de semente a tempo ao agricultor.
Para além disso, os docentes e estudantes constataram que a cadeia de comercialização de produtos agro-pecuários no Sábie é feita nos mercados de Zimpeto (hortícolas), no Xipamanine e em alguns talhos, no caso dos produtos pecuários.
Para os estudantes estas actividades permitiram para que eles tivessem contacto directo com as comunidades e aprenderem do trabalho prático realizado na área da agricultura, assim como conhecerem as técnicas usadas para a conservação dos alimentos.
"Para a nossa formação estas actividades permitiram conciliarmos a prática da teoria e interagirmos com as comunidades, uma vez que é lá onde há conhecimento prático", afirmaram os estudantes.
Por seu turno o Chefe do Posto Administrativo do Sábie disse que sendo aquela uma zona potencialmente agrícola, é um ganho a interacção entre os estudantes e a comunidade, pois há troca de experiências, uma vez que são as comunidades que conhecem a realidade dos campos de produção e os estudantes partilham o conhecimento científico para abrir a visão dos agricultores, para produzirem mais em um hectare.
"Estamos a olhar estes estudantes como mais alguns extensionistas e significa que haverá mais produção dentro do nosso posto", disse Chefe do Posto Administrativo.
A população do Sábie congratulou-se com a interacção e acreditam que vai permitir que aprendam novas técnicas de produção de mais alimentos para o desenvolvimento da agricultura. Alguns que falaram à nossa reportagem disseram que gostariam de ser ajudados no combate às pragas e na prevenção do problema de homem/fauna bravia.
Referir que das actividades desenvolvidas pela FAEF vai se envolver a população local para transformar/desenvolver e adaptar técnicas de produção de alimentos e sua conservação.