Políticos e académicos juntos para lembrar Samora Machel

Políticos e académicos provenientes de diversos países juntaram-se nesta terça-feira num colóquio para falar do primeiro Presidente de Moçambique independente, Samora Machel. O evento, organizado pela Universidade Eduardo Mondlane, contou com a presença do Presidente da República, Armando Guebuza, do Presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe, do antigo Chefe do Estado zambiano, Kenneth Kaunda e do antigo Presidente da Assembleia da República de Portugal, Almeida Santos.

Falando na ocasião, Armando Guebuza disse que Samora Machel desempenhou um papel de grande relevo na frente política e diplomática para a libertação total da África Austral e não só.
Afirmou que Machel teve Moçambique apenas como seu berço natalício, tendo a sua vida e obra o catapultado para cidadão da África Austral, da Mãe-África e do Mundo inteiro. “O seu carácter pan-africanista e internacionalista; os valores que defendeu; a causa nobre porque viveu, lutou e pereceu, inserem-no na galeria das grandes figuras que marcaram o século passado”, disse.
Disse ainda que Samora Machel desempenhou um papel crucial para a independência do Zimbabwe, para o fim do regime do Apartheid na África do Sul e para a libertação da Namíbia.
Lembrou ainda o Chefe do Estado que Samora desenvolveu uma acção político-diplomática a favor do povo Saharawi e da sua luta pela independência nacional, assim como apoio à causa do Timor Leste, Palestina entre outros.
Num outro desenvolvimento afirmou que Samora Machel deu um valioso contributo não só para a realização dos objectivos dos Estados da Linha da Frente, como também para o lançamento das bases para o nascimento da sua sucessora, a Confederação de Coordenação do Desenvolvimento da África Austral (SADCC).
Por sua vez, o Presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe, afirmou que Samora Machel foi um “grande” revolucionário, astuto e diplomata, que acreditava que as fronteiras da libertação verdadeira estavam para além de Moçambique.
“Samora era um homem íntegro, dono da sua palavra e que compreendeu que a independência total do seu país dependia da independência do Zimbabwe e da libertação da África do Sul. O meu país não seria o que é hoje se não fosse a liderança visionária de Samora”, disse Mugabe.
Para o antigo Presidente da Zâmbia, Samora foi um “grande” filho da África, que não discriminou pela cor nem pela religião. Disse ainda que Samora Machel teve a virtude de unir todos os moçambicanos, para juntos lutarem contra um único inimigo, a fome, a miséria e contra a dominação.
O organização do “Colóquio Internacional Samora Machel” foi no âmbito das comemorações do Ano Samora Machel, declarado pelo Governo de Moçambique, em homenagem ao Primeiro Presidente de Moçambique Independente, e por ocasião dos 25 anos da sua morte.
Para o Reitor da Universidade Eduardo Mondlane, Prof. Doutor Orlando Quilambo, organizar o colóquio Samora Machel para a sua instituição não se enquadra apenas no ritual académico, mas uma forma de mostrar respeito a todos que lutaram pela independência nacional.
“É uma forma de mostrarmos respeito àquele que lutou pela educação dos cidadãos moçambicanos, ao preconizar a educação como condição para dominar a ciência e a técnica”, disse.
O Primeiro Presidente da República Popular de Moçambique perdeu a vida num acidente aéreo no território sul-africano de Mbuzine, no dia 19 de Outubro de 1986, quando regressava da Zâmbia, onde fora participar em uma reunião que buscava soluções para pôr fim à difícil relação entre Angola e Zaire de Mobutu Sesse Seko.