Línguas moçambicanas podem estar em extinção

O Professor Catedrático Armindo Ngunga, disse ontem (dia 30) que as línguas moçambicanas estão em perigo de extinção, porque o seu espaço de funcionamento é reduzido, isto é, não são faladas nas escolas, nos tribunais, nos hospitais. Outro facto apontado pelo académico como de risco para as línguas é a crescente migração das pessoas das zonas rurais para as cidades, locais onde para se comunicarem usam outros idiomas.

Este discurso foi proferido pelo académico e director do Centro dos Estudos Africanos (CEA), da Universidade Eduardo Mondlane, durante o lançamento do livro da autoria conjunta deste com a Dra. Nazia Bavo, intitulado Práticas Linguísticas em Moçambique: Avaliação da vitalidade linguística em seis distritos.
Acrescentou Professor Ngunga que o grande problema que periga a existência das línguas nacionais é a falta de passagem directa dos mais velhos para os mais novos.
De acordo com o apresentador do livro, Prof. Doutor Carlos Manuel, a vitalidade e dinâmica actual das línguas moçambicanas e o seu futuro são a essência daquela obra.
Para o Ministro da Educação, Zeferino Martins, que esteve presente na cerimónia de lançamento, o livro “remete-nos a uma avaliação e reflexão sobre os esforços levados acabo no pais ao longo das últimas décadas, visando o resgate das línguas moçambicanas, quer do ponto de vista da sua revalorização, quer do ponto de vista do seu papel no fortalecimento da nossa moçambicanidade”.
Por sua vez, o Reitor da UEM, considerou que a obra é um estímulo para a UEM continuar a realizar pesquisas. “O livro serve não apenas ao sistema de educação, mas também a cultura do país”.
Na ocasião, estiveram também presentes o representante da Unesco no pais, Juliam Babu, representantes de algumas embaixadas, directores das faculdades e centros da UEM e o Secretário Permanente do Governo da Cidade de Maputo.