FAEF desenvolve secadores solares para frutas e mandioca

Docentes da Faculdade de Agronomia e Engenharia Florestal da UEM desenvolveram uma estufa solar para secagem de frutas e mandioca. A iniciativa enquadra-se no âmbito do projecto "Secadores Solares", através do qual a FAEF tem estado a desenhar e a desenvolver modelos de secadores de produtos agrícolas que se adequam aos pequenos agricultores.
Trata-se de uma tecnologia simples, higiénica, sem possibilidade de contaminação de micro-organismos e nem de perdas do valor nutritivo dos alimentos. É de baixo custo e acessível, projectada para pequenos agricultores. Foi desenvolvida à base de madeira, plástico transparente, saco preto, chapa de zinco e painel solar responsável pela produção de energia que suporta o processo de secagem.
Nesta quinta-feira (11/07), a FAEF realizou, na localidade de Dongane, Distrito de Inharrime, província de Inhambane, o Dia de Campo para apresentar e demonstrar um dos modelos de secador solar já construído às populações.
Na ocasião, o Administrador do Distrito de Inharrime, Lucas Simbine, reconheceu o trabalho que a UEM tem estado a desenvolver para a melhoria da vida dos agricultores naquele distrito. Disse que o processo de secagem vai ajudar a que se tire maior proveito na cadeia de valor.
Simbine referiu, ser com alegria, que tem estado a constatar o surgimento, no distrito, de pequenas indústrias que se dedicam ao processamento de produtos agrários a base de secagem graças a assistência técnica da FAEF. Apelou aos camponeses a apropriarem-se da nova tecnologia para a produção e comercialização dos produtos agrícolas.
Em representação do Director da FAEF, o Prof. Doutor Rogério Chiulele, disse que o desenvolvimento do secador é resultado de um trabalho de pesquisa evolvendo testes de campo e de laboratório que, durante 3 anos, levaram á criação de uma tecnologia segura e fácil de usar.
Entretanto, o coordenador do Projecto "Secadores Solares", Prof. Doutor Lucas Tivane, explicou que o objectivo é reduzir as perdas pós-colheita que levam à redução da disponibilidade de alimentos aos camponeses.
"Um dos factores que levam á rápida deterioração dos alimentos é porque são colhidos com muita água, como é o caso dos tubérculos, hortícolas e frutos e esta tecnologia vai permitir secar e aumentar o seu valor nutritivo", disse.
No caso da mandioca, a tecnologia pode secar até 100 kg por dia, reduzindo em 60 por cento do peso com a retirada da água, o que facilita o seu transporte e armazenamento. Entretanto, após a secagem a mandioca pode ser transformada em farinha a partir da qual se produz o pão, entre outros alimentos.
No Dia de Campo, alguns agricultores aproveitaram a ocasião para expor produtos resultantes da secagem como laranja, ananás, banana e pão feito à base de farinha de mandioca, entre outros.
Tivane garantiu que alguns chefes das associações já foram capacitados a manusear a tecnologia. Aliás, segundo a mesma fonte, a tecnologia foi oferecida aos agricultores locais e encontra-se disponível na cooperativa distrital, localizada nas novas instalações da Associação Josina Machel.
O projecto "Secadores Solares" realiza-se no âmbito de uma parceria entre a FAEF e a Universidade de Lund, da Suécia.

