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UEM e AEMO lançam edição comemorativa da obra "Nós matamos o Cão-Tinhoso"

cao tinhoso1A Faculdade de Letras e Ciências Sociais da UEM (FLCS) e a Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO) em parceria com a Alcance Editores, procederam na tarde de ontem, 01 de Setembro, ao lançamento da edição comemorativa da 1ª versão da obra "Nós Matamos o Cão-Tinhoso", de Luís Bernardo Honwana. O lançamento desta obra pela FLCS da UEM está inserido no âmbito das suas actividades de investigação e extensão.
A iniciativa resulta do reconhecimento da importância desta obra no contexto da literatura e da cultura moçambicana ao longo dos seus 50 anos de existência, ou seja, desde o primeiro lançamento, em 1964. O livro que denuncia e critica o racismo do poder colonial português foi escrito quando Luís Bernardo Honwana encontrava-se preso pela Polícia Política Portuguesa, PIDE.
Segundo o Secretário-Geral da AEMO, Ungulani Ba Ka Khossa, obra maior da literatura moçambicana, o livro de Luís Bernardo Honwana não poder ser abandonada em qualquer apeadeiro da ferrovia literária, devendo ocupar sempre o lugar de destaque junto das grandes obras do universo literário moçambicano.
"É necessário que o nosso Ministério da Educação assuma de uma vez por todas que no edifício do nosso saber, a obra Nós Matamos o Cão-Tinhoso tem a sua cadeira por direito próprio," afirmou o secretário-geral da AEMO, acrescentando não ser um favor que “prestamos ao autor mas sim um tributo que prestamos a cultura moçambicana”.
Ungulani Ba Ka Khossa disse que, ao contrário das ciências e das técnicas que progridem aniquilando o velho, antiquado e obsoleto fazendo do passado um cemitério, um mundo de coisas mortas e superadas pelas novas descobertas e invenções, as letras e as artes renovam-se mas não progridem. Elas não aniquilam o seu passado, constroem sobre ele, alimentam-se dele, e ao mesmo tempo alimentam-no.
Falando no evento, o Reitor da UEM, o Prof. Doutor Orlando Quilambo, explicou que o processo de luta visando a construção da nação moçambicana, desde cedo, teve o condão de beneficiar das potencialidades que as Letras e as Artes moçambicanas sempre ofereceram. “É no contexto da literatura engajada, produzida durante a grande noite colonial, que se pode enquadrar a obra de Luís Bernardo Honwana, cuja primeira edição data do longínquo ano de 1964”.
Segundo Quilambo, os valores estético-temáticos intrínsecos da obra, as condições histórico-literárias que permitiram a sua escrita fazem dela uma obra-prima que merece figurar na categoria de textos fundacionais da narrativa literária em Moçambique.
Para o Reitor, o livro de Luís Bernardo Honwana ultrapassou o crivo do tempo e do espaço ao ser publicado noutros quadrantes do mundo e noutras línguas. "Ele foi-se impondo como uma obra de referência da literatura moçambicana, canônica, conquistando, desta forma, um espaço próprio caracterizado por uma recepção crítica diversa que se manteve até hoje", disse.

cao tinhoso 1O autor da obra, Luís Bernardo Honwana agradeceu o gesto, afirmando que para muitos leitores, particularmente os mais velhos, o livro traz a recordação de tempos menos felizes da vida estudantil, que no lugar de simplesmente lhes ser dado a fluir, como se esperaria, o livro lhes foi imposto por zelosos professores em exercícios de interpretação. O escritor afirmou que o livro só é hoje celebrado porque continua a interessar mesmo aqueles para quem os grandes resultados da saga do 25 de Setembro é nas suas vidas um dado adquirido.
Todavia, reconheceu que a longividade desta obra é feita pelo interesse do público que justifica sucessivas edições e traduções mas, sobretudo, pelo favor da crítica. "Efectivamente é grande e variada a produção ensaística que este livro tem suscitado ao longo destes 50 anos", concluiu.
Na sessão de lançamento, os professores Rui Baltazar, Eugénio Lisboa, Álvaro Carmo Vaz, Mota Lopes, o antigo primeiro-ministro Mário da Graça Machungo, e os docentes da FLCS da UEM Albino Macuácua e Osvaldo Neves apresentaram depoimentos sobre a obra e o respectivo autor.

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